Preâmbulo
Creio no único Deus vivo e verdadeiro, eternamente existente em três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo, criador, sustentador e soberano Senhor de todas as coisas.
Creio que Deus se revelou por meio da criação, da providência, das Sagradas Escrituras e, de maneira suprema e definitiva, em seu Filho, Jesus Cristo.
Confesso que a salvação pertence ao Senhor, sendo concebida na eternidade pelo propósito gracioso de Deus, realizada historicamente pela pessoa e obra de Jesus Cristo e aplicada eficazmente aos eleitos pelo Espírito Santo.
Reconheço Jesus Cristo como único Senhor, Salvador, Mediador e Cabeça da Igreja, a quem pertencem toda autoridade, honra, glória e domínio.
Professo a fé cristã histórica, conforme expressa nos credos ecumênicos e desenvolvida na tradição teológica reformada, reconhecendo as Escrituras como autoridade suprema sobre toda formulação confessional.
Apresento, portanto, minha confissão pessoal de fé.
Artigo I
Das Sagradas Escrituras
Creio que as Sagradas Escrituras do Antigo e do Novo Testamento constituem a Palavra escrita de Deus, inspirada pelo Espírito Santo, infalível, inerrante, autoritativa e plenamente confiável em tudo aquilo que afirmam.
Reconheço os 66 livros do cânon protestante, sendo 39 pertencentes ao Antigo Testamento e 27 ao Novo Testamento, como a revelação escrita que Deus concedeu à sua Igreja.
Creio que as Escrituras são suficientes para revelar o conhecimento necessário à salvação e para estabelecer os princípios normativos da fé, da obediência e do culto cristão.
Reconheço a necessidade da interpretação histórico-gramatical, da consideração dos gêneros literários e da leitura de cada passagem à luz do contexto e da unidade da revelação bíblica.
Confesso que o Espírito Santo, autor divino das Escrituras, ilumina os cristãos para compreenderem e receberem sua verdade.
Reconheço Jesus Cristo como o centro da revelação redentiva, para o qual convergem as promessas, os tipos e os testemunhos do Antigo Testamento e no qual se cumprem os propósitos salvíficos de Deus.
Artigo II
De Deus e de seus atributos
Creio que existe um único Deus vivo e verdadeiro, eterno, infinito, imutável, onipotente, onisciente, onipresente, perfeitamente santo, justo, sábio, bondoso e misericordioso.
Confesso que Deus possui existência em si mesmo, não depende de sua criação e não está sujeito às limitações próprias dos seres criados.
Reconheço sua soberania absoluta sobre todas as coisas e afirmo que sua vontade é santa, justa e perfeita.
Creio que Deus é simultaneamente transcendente e imanente: infinitamente superior à criação e verdadeiramente presente nela, sustentando todas as coisas pelo poder de sua Palavra.
Afirmo que seus atributos não representam partes independentes de sua natureza, mas expressam as perfeições do único e indivisível ser divino.
Confesso que Deus deve ser conhecido conforme sua própria revelação, adorado segundo sua vontade e glorificado em todas as dimensões da existência humana.
Artigo III
Da Santíssima Trindade
Creio em um único Deus, eternamente existente em três pessoas distintas: Pai, Filho e Espírito Santo.
Confesso que as três pessoas possuem a mesma essência divina, a mesma eternidade, a mesma glória e a mesma majestade.
Reconheço que o Pai é Deus, o Filho é Deus e o Espírito Santo é Deus, sem que isso implique a existência de três deuses.
Creio que o Filho é eternamente gerado do Pai e que o Espírito Santo procede eternamente do Pai e do Filho, conforme a formulação trinitária ocidental que subscrevo.
Confesso que as três pessoas divinas são inseparáveis em sua essência e em suas obras exteriores, embora a revelação bíblica atribua operações pessoais distintas ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.
Reconheço que a Trindade não resulta de uma construção filosófica autônoma, mas representa a formulação teológica daquilo que Deus revelou acerca de si mesmo nas Escrituras.
Artigo IV
Dos decretos divinos e da providência
Creio que Deus, desde toda a eternidade, estabeleceu livremente e segundo o conselho de sua vontade tudo aquilo que acontece.
Reconheço que seus decretos são santos, sábios e imutáveis, não estando condicionados a acontecimentos imprevistos ou a qualquer necessidade externa ao próprio Deus.
Confesso, entretanto, que a soberania divina não transforma Deus em autor do pecado nem elimina a responsabilidade moral das criaturas.
Creio que Deus governa sua criação mediante sua providência, preservando, sustentando e dirigindo todas as coisas para a realização de seus propósitos eternos.
Reconheço que sua providência abrange tanto os grandes acontecimentos da história quanto as circunstâncias particulares da existência humana.
Afirmo que o governo soberano de Deus não dispensa o exercício da responsabilidade humana, mas estabelece o contexto no qual essa responsabilidade deve ser compreendida e exercida.
Artigo V
Da criação
Creio que Deus criou todas as coisas, visíveis e invisíveis, por sua livre vontade e para a manifestação de sua glória.
Confesso que a criação não constitui uma extensão necessária da essência divina, mas uma obra livre do Criador.
Reconheço que o universo possui existência real, distinta de Deus e permanentemente dependente de seu poder sustentador.
Creio que toda a criação originalmente procedeu de Deus como obra boa e ordenada.
Confesso que os seres humanos foram criados à imagem e semelhança de Deus, recebendo dignidade, responsabilidade moral e vocação para viver em comunhão com o Criador.
Reconheço que a criação deve ser estudada, administrada e preservada com responsabilidade, sem jamais ser confundida com o próprio Deus ou transformada em objeto de adoração.
Artigo VI
Dos anjos e do mundo espiritual
Creio que Deus criou os anjos como seres espirituais que servem à sua vontade e participam da execução de seus propósitos.
Reconheço a existência dos anjos fiéis e a realidade da rebelião de Satanás e dos anjos caídos.
Confesso que Satanás é uma criatura e, portanto, não possui atributos divinos nem autoridade independente do governo soberano de Deus.
Creio que Jesus Cristo triunfou decisivamente sobre os poderes das trevas mediante sua morte e ressurreição.
Reconheço que a vida cristã envolve uma dimensão de conflito espiritual, mas afirmo que a segurança dos cristãos está fundamentada na vitória de Cristo, na autoridade das Escrituras e na ação do Espírito Santo.
Artigo VII
Da humanidade e da imagem de Deus
Creio que Deus criou o ser humano à sua imagem e semelhança, conferindo-lhe dignidade intrínseca, racionalidade, responsabilidade moral e capacidade relacional.
Confesso que homens e mulheres possuem o mesmo valor ontológico diante de Deus e são igualmente responsáveis por viver para sua glória.
Reconheço que a dignidade humana não depende de condições econômicas, sociais, intelectuais, físicas, étnicas ou culturais.
Creio que o ser humano foi criado para viver em comunhão com Deus, relacionar-se responsavelmente com o próximo, desenvolver suas capacidades e administrar a criação.
Reconheço a unidade da pessoa humana, compreendendo suas dimensões materiais e imateriais como pertencentes à integralidade de sua existência.
Confesso que a finalidade última da existência humana não consiste na autonomia absoluta, mas no conhecimento de Deus, na obediência à sua vontade e na participação em sua glória.
Artigo VIII
Da queda e do pecado
Creio que nossos primeiros pais foram criados em retidão e santidade, mas transgrediram voluntariamente a ordem divina.
Confesso que, por meio da queda, o pecado e a morte entraram na experiência humana, comprometendo profundamente a natureza, a vontade, os afetos e as relações do ser humano.
Reconheço a doutrina do pecado original e afirmo que toda a humanidade, em sua condição natural, encontra-se sujeita à corrupção do pecado e necessita da graça redentora de Deus.
Entendo que a depravação total não significa que todos os seres humanos manifestem o máximo possível de perversidade, mas que a corrupção do pecado alcança todas as dimensões de sua natureza.
Creio que o ser humano continua responsável por seus atos, embora seja espiritualmente incapaz de produzir sua própria regeneração ou alcançar a salvação mediante seus méritos.
Confesso que somente a graça divina pode libertar o pecador de sua condição espiritual.
Artigo IX
Das alianças divinas
Creio que Deus se relaciona com a humanidade mediante alianças e que a história da redenção manifesta progressivamente seu propósito eterno de salvar um povo para sua glória.
Reconheço a formulação reformada do pacto de obras estabelecido com Adão e do pacto da graça, mediante o qual Deus anuncia e realiza a redenção dos pecadores por intermédio de Jesus Cristo.
Confesso que a aliança da graça foi progressivamente revelada ao longo da história bíblica e encontra seu pleno cumprimento na pessoa e obra do Mediador.
Creio que as alianças estabelecidas com Noé, Abraão, Israel e Davi participam da revelação histórica dos propósitos divinos e devem ser compreendidas à luz de seu desenvolvimento nas Escrituras.
Reconheço Jesus Cristo como o Mediador da nova aliança e aquele em quem se cumprem as promessas redentivas de Deus.
Afirmo a unidade essencial do plano divino de salvação, sem desconsiderar as distinções existentes entre as diferentes administrações históricas da aliança.
Artigo X
Da pessoa de Jesus Cristo
Creio que Jesus Cristo é o Filho eterno de Deus, a segunda pessoa da Santíssima Trindade, verdadeiro Deus e verdadeiro homem.
Confesso sua concepção sobrenatural pelo Espírito Santo e seu nascimento da virgem Maria.
Reconheço que, na encarnação, o Filho de Deus assumiu verdadeira natureza humana, permanecendo plenamente divino.
Afirmo que Jesus Cristo possui duas naturezas, divina e humana, unidas inseparavelmente em uma única pessoa, sem confusão, alteração, divisão ou separação.
Creio que Jesus viveu em perfeita obediência ao Pai, cumpriu integralmente a lei divina e permaneceu absolutamente livre de pecado.
Confesso que somente aquele que é verdadeiro Deus e verdadeiro homem poderia realizar plenamente a mediação necessária à nossa reconciliação com Deus.
Artigo XI
Da obra mediadora de Jesus Cristo
Creio que Jesus Cristo foi eternamente designado por Deus como único Mediador entre Deus e os homens.
Reconheço que ele exerce os ofícios de Profeta, Sacerdote e Rei, revelando plenamente a vontade divina, realizando a expiação dos pecados e governando soberanamente seu povo.
Confesso que sua obediência perfeita e sua morte sacrificial constituem a base da nossa reconciliação com Deus.
Creio que, na cruz, Cristo ofereceu voluntariamente sua vida como sacrifício expiatório e substitutivo, satisfazendo a justiça divina e garantindo a redenção de seu povo.
Afirmo que seu sacrifício foi perfeito, único e suficiente, não necessitando de repetição ou complementação mediante obras humanas.
Creio que Jesus Cristo ressuscitou corporalmente ao terceiro dia, ascendeu aos céus e está assentado à direita do Pai.
Reconheço que ele permanece como nosso eterno Sumo Sacerdote e intercessor e que governa sua Igreja até a consumação de todas as coisas.
Artigo XII
Da eleição e da graça salvadora
Creio que Deus, antes da fundação do mundo, escolheu em Cristo aqueles que seriam alcançados por sua graça salvadora.
Confesso que essa eleição é incondicional, não estando fundamentada na previsão de méritos, decisões ou obras humanas.
Reconheço que a salvação procede integralmente da misericórdia divina e que nenhum pecador possui, em si mesmo, qualquer mérito capaz de produzir sua reconciliação com Deus.
Creio que a morte de Cristo possui valor e suficiência infinitos e que, segundo o propósito salvífico de Deus, garante eficazmente a redenção dos eleitos.
Afirmo que o Evangelho deve ser anunciado indistintamente a todas as pessoas, mediante o chamado sincero ao arrependimento e à fé.
Reconheço que a doutrina da eleição não elimina a responsabilidade humana, a necessidade da evangelização ou a obrigatoriedade da pregação.
Confesso que a eleição constitui motivo de gratidão, humildade e adoração, jamais fundamento legítimo para arrogância espiritual.
Artigo XIII
Da vocação eficaz, da regeneração e da conversão
Creio que o Espírito Santo aplica eficazmente a obra redentora de Jesus Cristo àqueles que o Pai escolheu para a salvação.
Reconheço que, mediante a vocação eficaz, Deus ilumina o entendimento, renova a vontade e concede ao pecador a capacidade espiritual de responder ao Evangelho.
Confesso que a regeneração é uma obra soberana do Espírito Santo e não o resultado de um esforço humano autônomo.
Creio que a verdadeira conversão envolve arrependimento dos pecados e fé pessoal em Jesus Cristo.
Reconheço que o arrependimento e a fé são respostas humanas reais e responsáveis, produzidas mediante a operação graciosa de Deus.
Afirmo que a conversão verdadeira deve manifestar-se progressivamente em uma vida de obediência, santificação e transformação moral.
Artigo XIV
Da justificação e da adoção
Creio que a justificação constitui um ato judicial e gracioso de Deus, mediante o qual ele perdoa os pecados e declara justos aqueles que estão unidos a Jesus Cristo pela fé.
Confesso que a justificação não se fundamenta em uma justiça inerente ao pecador, mas na justiça perfeita de Jesus Cristo, que lhe é imputada.
Reconheço que somos justificados exclusivamente pela graça, mediante a fé, independentemente dos méritos ou das obras humanas.
Afirmo que a fé constitui o instrumento mediante o qual recebemos a justiça de Cristo, não sendo, ela própria, uma obra meritória.
Creio que aqueles que foram justificados também recebem, pela graça, o privilégio da adoção, tornando-se filhos de Deus e herdeiros de suas promessas.
Reconheço que a adoção estabelece uma relação verdadeira de comunhão entre Deus e seus filhos, fundamentada na mediação de Jesus Cristo e confirmada pelo testemunho do Espírito Santo.
Artigo XV
Da santificação, da perseverança e da glorificação
Creio que todos aqueles que foram verdadeiramente regenerados são progressivamente santificados pelo Espírito Santo.
Confesso que a santificação compreende a mortificação do pecado e o desenvolvimento de uma vida caracterizada pela obediência à Palavra de Deus.
Reconheço que o cristão permanece em conflito com o pecado durante sua existência terrena, sendo continuamente chamado ao arrependimento, à vigilância e à perseverança.
Creio que as boas obras são consequências necessárias da verdadeira fé, mas nunca constituem fundamento meritório da justificação.
Confesso a perseverança dos santos e reconheço que aqueles que foram verdadeiramente unidos a Cristo serão preservados pela graça divina até a consumação da salvação.
Entendo que essa segurança não autoriza a negligência espiritual nem a prática deliberada do pecado, mas estimula a gratidão, a santidade e a fidelidade cristã.
Creio que a salvação será plenamente consumada na glorificação, quando os redimidos serão definitivamente libertos da presença do pecado e conformados à imagem de Jesus Cristo.
Artigo XVI
Da pessoa e da obra do Espírito Santo
Creio que o Espírito Santo é a terceira pessoa da Santíssima Trindade, verdadeiro e eterno Deus, consubstancial ao Pai e ao Filho.
Confesso que o Espírito Santo participou da criação, inspirou as Escrituras e atua eficazmente na aplicação da obra redentora de Jesus Cristo.
Reconheço que ele convence o mundo do pecado, da justiça e do juízo, regenera os eleitos, concede a fé, santifica os cristãos e os preserva na comunhão com Deus.
Creio que o Espírito Santo habita permanentemente naqueles que pertencem a Jesus Cristo e os capacita para a vida cristã e para o serviço na Igreja.
Reconheço a diversidade dos dons espirituais concedidos pelo Espírito Santo para a edificação do corpo de Cristo.
Afirmo que o exercício de qualquer dom espiritual deve permanecer subordinado às Escrituras, orientado pelo amor e comprometido com a edificação da Igreja.
Confesso que nenhuma experiência espiritual possui autoridade independente da revelação bíblica e que toda manifestação deve ser examinada segundo os ensinamentos das Escrituras.
Artigo XVII
Da Igreja de Jesus Cristo
Creio que a Igreja é o povo de Deus, o corpo de Cristo e o templo do Espírito Santo, constituído por aqueles que pertencem a Jesus Cristo.
Reconheço a distinção teológica entre a Igreja invisível, compreendida como a totalidade dos verdadeiros eleitos de Deus, e a Igreja visível, constituída pelas comunidades que professam a fé cristã.
Confesso que Jesus Cristo é o único Cabeça da Igreja e que sua autoridade deve ser reconhecida em todas as dimensões da vida eclesiástica.
Creio que a Igreja possui a responsabilidade de glorificar a Deus mediante a adoração, a pregação, a administração dos sacramentos, a comunhão dos santos, o discipulado, a disciplina e a missão.
Reconheço que a Igreja é una em Cristo e que sua unidade espiritual deve encontrar expressão concreta nas relações entre os cristãos.
Afirmo que nenhuma comunidade local, denominação ou tradição eclesiástica pode reivindicar para si a totalidade exclusiva da Igreja universal.
Artigo XVIII
Do ministério e do governo da Igreja
Creio que Jesus Cristo concedeu à sua Igreja ministérios e oficiais destinados à pregação da Palavra, à administração dos sacramentos, ao cuidado pastoral e à edificação dos santos.
Reconheço a necessidade de liderança espiritualmente qualificada, legitimamente estabelecida, doutrinariamente responsável e submetida às Escrituras.
Adoto o governo presbiteriano como minha convicção pessoal, por reconhecer na pluralidade de presbíteros e na responsabilidade colegiada uma expressão consistente da organização eclesiástica neotestamentária.
Entretanto, reconheço que as tradições congregacional e episcopal apresentam interpretações bíblicas que devem ser examinadas com seriedade.
Não considero a adoção exclusiva do modelo presbiteriano condição indispensável para o reconhecimento da verdadeira Igreja.
Reconheço igualmente a necessidade da disciplina eclesiástica, exercida de maneira bíblica, responsável, proporcional, imparcial e orientada à restauração do pecador, à preservação da Igreja e à glória de Deus.
Confesso que o exercício da autoridade ministerial deve refletir a liderança servidora de Jesus Cristo e jamais ser transformado em instrumento de domínio pessoal, manipulação ou opressão.
Artigo XIX
Do batismo
Creio que o batismo é um sacramento instituído por Jesus Cristo e confiado à sua Igreja.
Reconheço nele um sinal e selo da aliança da graça, da união com Cristo, da purificação dos pecados e da incorporação à comunidade visível da fé.
Confesso que o batismo deve ser administrado com água, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, conforme a instituição do Senhor Jesus Cristo.
Reconheço como legítimas as modalidades de imersão, efusão e aspersão, compreendendo que a validade do sacramento não depende da quantidade de água utilizada.
Subscrevo a compreensão pactual da tradição reformada referente ao batismo dos filhos dos crentes, reconhecendo que a administração do sinal sacramental não constitui garantia automática de regeneração ou salvação.
Afirmo igualmente a administração do batismo aos convertidos que ainda não receberam o sacramento cristão.
Reconheço que a eficácia espiritual do batismo procede da ação soberana do Espírito Santo e não de qualquer propriedade intrínseca da água ou de uma operação automática do rito.
Confesso a natureza singular do batismo cristão, não reconhecendo a necessidade de repetir um batismo anteriormente recebido de maneira válida.
Artigo XX
Da Ceia do Senhor
Creio que a Ceia do Senhor foi instituída por Jesus Cristo como sacramento da nova aliança e deve ser celebrada pela Igreja até sua segunda vinda.
Confesso a presença real e espiritual de Jesus Cristo na Ceia, reconhecendo que os cristãos participam verdadeiramente de Cristo mediante a operação do Espírito Santo e pela fé.
Rejeito a compreensão de que os elementos sejam fisicamente transformados no corpo e no sangue de Cristo.
Entretanto, não reduzo a Ceia a uma simples recordação intelectual ou cerimônia exclusivamente simbólica.
Reconheço que ela constitui um meio de graça, mediante o qual os cristãos são espiritualmente fortalecidos e confirmados nas promessas da nova aliança.
Afirmo que sua celebração deve anunciar a morte de Cristo, fortalecer a comunhão dos santos, estimular o autoexame e proclamar a esperança de sua segunda vinda.
Artigo XXI
Do culto, da oração e da vida devocional
Creio que Deus é o único objeto legítimo da adoração cristã e que o culto deve ser dirigido ao Pai, mediante Jesus Cristo, no poder do Espírito Santo.
Reconheço que as Escrituras devem governar os elementos essenciais da adoração pública e que a Igreja possui a responsabilidade de preservar a reverência, a inteligibilidade e a edificação espiritual de suas reuniões.
Confesso a centralidade da leitura e da pregação fiel das Escrituras, da oração, dos cânticos espirituais e da administração dos sacramentos.
Reconheço a importância do Dia do Senhor para o culto comunitário, o descanso, a comunhão e as obras de necessidade e misericórdia.
Creio que a oração constitui um privilégio concedido aos filhos de Deus, mediante o qual expressamos adoração, confissão, gratidão, intercessão e dependência da providência divina.
Afirmo que a vida devocional não deve ser limitada ao culto público, mas deve caracterizar a existência cotidiana daqueles que pertencem a Jesus Cristo.
Artigo XXII
Da lei moral e da vida cristã
Creio que a lei moral de Deus expressa sua santidade e revela os princípios fundamentais da responsabilidade humana.
Reconheço que nenhum ser humano pode alcançar a justificação mediante a obediência à lei.
Entretanto, confesso que a lei moral permanece relevante para a orientação da vida cristã, devendo ser compreendida à luz de sua realização em Jesus Cristo e da revelação do Novo Testamento.
Afirmo que a verdadeira obediência cristã procede da gratidão pela salvação e da operação santificadora do Espírito Santo.
Reconheço a responsabilidade de amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos.
Confesso que a vida cristã deve ser caracterizada pela verdade, pela integridade, pela justiça, pela misericórdia, pela fidelidade, pelo domínio próprio e pelo exercício responsável da liberdade.
Entendo que o desenvolvimento das capacidades humanas, o exercício da disciplina pessoal e o cumprimento das responsabilidades individuais devem ocorrer sob o governo soberano de Deus, sem substituir a dependência de sua graça.
Artigo XXIII
Da família, do casamento e da sexualidade
Creio que Deus instituiu o casamento como união pactual entre um homem e uma mulher, caracterizada pelo compromisso, pela fidelidade, pelo amor e pela responsabilidade mútua.
Reconheço que homens e mulheres possuem igual dignidade e valor diante de Deus, embora entenda que as Escrituras estabelecem responsabilidades complementares no contexto familiar e eclesiástico.
Confesso que a liderança cristã no casamento deve refletir o amor sacrificial de Jesus Cristo e que nenhuma autoridade familiar pode justificar violência, coerção, humilhação ou abuso.
Reconheço a família como ambiente de cuidado, educação, proteção, transmissão da fé e desenvolvimento de responsabilidades.
Creio que a sexualidade humana deve ser vivida segundo os princípios da ética cristã, reconhecendo a fidelidade matrimonial e a castidade como expressões de obediência a Deus.
Afirmo que toda pessoa possui dignidade inerente e deve ser tratada com respeito, independentemente de sua condição, experiência ou concordância com minhas convicções religiosas.
Confesso que a Igreja possui a responsabilidade de anunciar suas convicções éticas com fidelidade bíblica, acompanhada de amor, misericórdia e respeito à dignidade humana.
Artigo XXIV
Da unidade, da reconciliação e da justiça
Creio que Deus está reunindo em Jesus Cristo um povo proveniente de todas as nações, povos, tribos e línguas.
Reconheço que a obra redentora de Cristo reconcilia os pecadores com Deus e estabelece uma nova comunidade caracterizada pela comunhão dos santos.
Confesso que a Igreja possui a responsabilidade de manifestar essa unidade mediante relações de amor, solidariedade, misericórdia e justiça.
Rejeito a utilização de diferenças étnicas, raciais, sociais ou econômicas como justificativa para a negação da dignidade humana ou para a exclusão discriminatória de pessoas da comunhão cristã.
Reconheço a importância de cuidar dos necessitados, defender os vulneráveis, praticar a hospitalidade e promover a reconciliação.
Entendo que a missão espiritual da Igreja não exclui suas responsabilidades éticas e sociais, embora estas devam permanecer orientadas pelo Evangelho e subordinadas às Escrituras.
Artigo XXV
Da missão da Igreja e da evangelização
Creio que Jesus Cristo confiou à sua Igreja a responsabilidade de anunciar o Evangelho a todas as nações e fazer discípulos mediante a pregação, o batismo e o ensino de seus mandamentos.
Reconheço que a evangelização deve proclamar a condição pecaminosa da humanidade, a pessoa e a obra redentora de Jesus Cristo e o chamado ao arrependimento e à fé.
Confesso que somente Jesus Cristo constitui o fundamento da salvação e que a Igreja possui a responsabilidade de testemunhar essa verdade com fidelidade e amor.
Reconheço a necessidade da formação teológica, do discipulado, do cuidado pastoral e da preparação de novos líderes para o desenvolvimento da missão cristã.
Afirmo que a missão da Igreja também deve produzir consequências éticas visíveis, mediante o amor ao próximo, a prática da misericórdia e o compromisso com a verdade.
Creio que a expansão do Evangelho depende da ação soberana do Espírito Santo, que utiliza a pregação da Palavra como instrumento ordinário para a convocação dos pecadores à salvação.
Artigo XXVI
Da morte, da ressurreição e do estado intermediário
Creio que a morte física constitui uma consequência da entrada do pecado na experiência humana e que todos os seres humanos estão sujeitos à morte, salvo aqueles que estiverem vivos por ocasião do retorno de Jesus Cristo.
Confesso que a existência humana não termina com a morte física.
Reconheço que aqueles que pertencem a Cristo entram em sua presença após a morte, aguardando a consumação da redenção mediante a ressurreição corporal.
Creio que a salvação cristã não consiste na libertação definitiva da existência corporal, mas na redenção integral da pessoa humana.
Confesso que Jesus Cristo venceu a morte mediante sua ressurreição e que, por sua vitória, todos os que lhe pertencem receberão a plenitude da vida eterna.
Artigo XXVII
Da segunda vinda de Cristo e do juízo final
Creio que Jesus Cristo retornará pessoalmente, corporalmente, visivelmente e em glória para consumar o Reino de Deus.
Confesso que sua segunda vinda constitui a esperança escatológica da Igreja e a manifestação definitiva de sua vitória sobre o pecado, a morte e todos os seus inimigos.
Reconheço que as Escrituras não autorizam a determinação de datas para esse acontecimento, razão pela qual a expectativa cristã deve ser caracterizada pela vigilância, pela perseverança e pela fidelidade.
Creio na ressurreição corporal dos mortos e no juízo final, mediante o qual Deus manifestará plenamente sua justiça.
Confesso que Jesus Cristo exercerá o juízo sobre toda a humanidade e que a salvação eterna pertence àqueles que foram redimidos por sua graça.
Reconheço a realidade do juízo divino e da condenação final, bem como a promessa da vida eterna para todos os que pertencem a Cristo.
Artigo XXVIII
Dos novos céus e da nova terra
Creio que Deus consumará seu propósito eterno mediante a plena manifestação do Reino de Jesus Cristo.
Reconheço que a esperança cristã não se limita à continuidade da existência espiritual após a morte, mas compreende a ressurreição corporal e a renovação da criação.
Confesso que Deus estabelecerá novos céus e nova terra, nos quais habitará a justiça.
Creio que os redimidos viverão eternamente na presença de Deus, libertos definitivamente do pecado, da morte, do sofrimento e de todas as consequências da queda.
Reconheço que a consumação escatológica manifestará plenamente a glória de Deus e a vitória definitiva de Jesus Cristo.
Afirmo que a esperança futura deve orientar a fidelidade presente, estimulando a santidade, a perseverança, o trabalho responsável e o serviço cristão.
Declaração solene e conclusão
Confesso publicamente minha fé no único Deus vivo e verdadeiro, Pai, Filho e Espírito Santo, a quem pertencem toda autoridade, poder, honra e glória.
Reconheço as Sagradas Escrituras como sua Palavra inspirada, infalível e suficiente, constituindo a única regra suprema de minha fé e prática.
Confesso Jesus Cristo como meu único Senhor e Salvador, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, que viveu em perfeita obediência, morreu sacrificialmente pelos pecados, ressuscitou corporalmente, ascendeu aos céus e retornará em glória.
Reconheço que minha salvação não procede de meus méritos, de minha vontade autônoma ou de minhas obras, mas exclusivamente da graça soberana de Deus, mediante a obra redentora de Jesus Cristo e a operação eficaz do Espírito Santo.
Afirmo minha identificação com a fé cristã histórica e com a tradição teológica reformada, reconhecendo que toda formulação confessional deve permanecer subordinada à autoridade das Escrituras.
Comprometo-me a anunciar o Evangelho, ensinar fielmente a Palavra de Deus, preservar a sã doutrina, exercer o ministério pastoral com integridade e servir à Igreja de Jesus Cristo.
Reconheço que o conhecimento teológico não constitui um fim em si mesmo, mas deve conduzir à adoração, à santidade, à humildade, ao amor e à obediência.
Confesso que minha vida e meu ministério pertencem ao Senhor Jesus Cristo, que me chamou para proclamar sua Palavra e servir ao seu povo.
Aguardo a bendita esperança de sua manifestação gloriosa, quando todas as coisas serão plenamente submetidas ao seu senhorio.
A Deus Pai, por meio de Jesus Cristo, na comunhão do Espírito Santo, sejam dadas toda honra e toda glória, agora e eternamente.