A encarnação como centro
A encarnação não é um episódio no calendário litúrgico. É a chave hermenêutica pela qual lemos toda a Escritura e imaginamos toda a missão. "O Verbo se fez carne e habitou entre nós" (Jo 1.14) não é apenas afirmação cristológica, mas convocação eclesial.
Um evangelho corporificado
Toda vez que a igreja recupera essa gramática, ela se recusa a reduzir o evangelho a um sistema de ideias e o restitui como acontecimento: Deus vindo, Deus ficando, Deus assumindo carne, tempo, cultura e sofrimento.
- Contra o docetismo contemporâneo, que dispensa o corpo;
- Contra o gnosticismo tardio, que dispensa a matéria;
- Contra o ativismo ansioso, que dispensa a paciência da presença.
Implicações pastorais
Ministrar encarnacionalmente é permanecer. É estar. É perder tempo com as pessoas certas nos lugares certos. Pastoralmente, isso significa recusar tanto o espetáculo quanto o pragmatismo, e recuperar a lentidão como método.
"A encarnação é a paciência de Deus."
Que assim seja também a paciência da igreja.